17/07/08

Saiu da cabeceira

"Stasilândia", de Anna Funder. A jornalista relata como funcionava a polícia da antiga Alemanha Oriental, na época do Muro de Berlim. Lançado pela coleção Jornalismo Literário, da Companhia das Letras, o livro, narrado muitas vezes em primeira pessoa, caminha pela investigação entremeada com personagens que viveram o terror do período.

Miriam é a personagem-guia, que vai percorrer toda a narrativa. Sua história serve como exemplo e padrão para as outras que surgem ao longo do texto. Ela tentou fugir para o lado ocidental, foi presa, saiu, casou, perdeu o marido numa segunda tentativa e não pôde enterrar o corpo, cremado pela Stasi para evitar investigações.

A narração em primeira pessoa me incomodou um tanto, assim como o não-distanciamento em relação à Miriam. Em vários trechos, tem-se a impressão de ler diálogos transcritos e encontros de duas amigas.

O terror e a disciplina da Stasi surgem após longas pesquisas nos arquivos da polícia. A reportagem vai a fundo e traça um perfil bem detalhado e humano do que foi o período.

Com a ressalva particular, de excesso de envolvimento da repórter com o objeto, o livro entra na galeria das grandes reportagens.

  • Vale ver também: "A vida dos outros", filme que mostra o envolvimento de um policial da Stasi com um casal investigado pela polícia

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