Saiu da cabeceira
"A cidade das palavras", de Alberto Manguel. O escritor argentino naturalizado canadense abre novo capítulo na tradução do humano pelas letras. No livro anterior, "A biblioteca à noite", ele investigava a relação do leitor com as bibliotecas, como historicamente as coleções foram fundamentais para o homem.
Neste, Manguel busca nos livros um entendimento sobre a evolução humana, social e culturalmente. Vai do "Gilgamesh" ao roteiro de "2001". A cada capítulo, ele traça um panorama histórico, cria relações literárias com autores de diversas épocas e leva ao leitor como essa mistura refletiu no homem.
Manguel é um leitor dos mais severos. Sua cultura literária o faz ser referência, autor de obras como "Dicionário de lugares imaginários", em que lista cidades, localidades e afins citados e criados ao longo da história das letras.
Desse acúmulo, surgem idéias que podem parecer simples - claro, relacionar livros para saber quem somos, como diz o subtítulo da edição brasileira -, mas que se tornam um exercício de pesquisa e profundidade que poucos autores são capazes de fazer.
Trechos
"Toda leitura é interpretação, toda leitura revela as circunstâncias do leitor, das quais de resto deriva."
"A imaginação é um mecanismo de sobrevivência desenvolvido de modo a propiciar experiências que, por mais que não sejam de natureza física, servem de todo modo para educar e aprimorar com a mesma eficácia da experiência vivica no mundo físico."
"Quando insistem para que diga por que o amava, sinto que não há como expressá-lo, senão dizendo: porque era ele e porque era eu."
(Montaigne, em citação usada por Manguel)

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