08/07/09

Última chance

Na grade de programação dos cinemas, nada muito interessante que salte aos olhos e me faça sair de casa para assistir. Uma certa preguiça da produção atual, pouca coisa de interessante, é preciso vasculhar e cavar para achar algo.

Eis que uma comédia romântica (talvez uma definição simplista demais, pois não é tão comédia assim, e só um pouco romântica) se entrega como opção, "Tinha que ser você" ("Last chance Harvey" no original).

Dustin Hoffman é Harvey, pianista de jazz frustrado e entregue à produção de jingles publicitários, tem que viajar a Londres para o casamento da filha. Sua vida parece então desmoronar quando é descartado do atual círculo familiar, composto pela ex-mulher, seu novo marido, o noivo, seus amigos, todos de outro país, que convivem diariamente e desconhecem a vida do ex que veio dos Estados Unidos.

Seu caminho vai cruzar com o de Emma Thompson (Kate), chefe do departamento de pesquisas de Heathrow, solteira quase cinquentona, que vive a desvendar os delírios da mãe e a atender seus seguidos telefonemas. Também desiludida, não consegue encontrar novos círculos sociais, não sobrevive ao necessário entrosamento que uma nova companhia pede.

Vive seu cotidiano de leituras, aulas de redação e traslados de trem.

Esses dois mundos dispersos, de idades distantes (não há menção às idades dos protagonistas, mas imagina-se um Harvey com seus 60 e tanto e Kate com seus 40 e tanto), cedem ao primeiro encontro, casual, e resistem às pressões iniciais.

Talvez não resista a uma decepção, mas pode se solidificar com a conversa sincera.
O filme tem diálogos reais, situações reais - peca ao aproveitar clichês, poucos, como quando Kate vai experimentar vestidos de festa - e atores em excelente forma. Hoffman e Emma entregam uma atuação comovente, sem exageros, sem vícios. Escapam de usar a diferença de idade para qualquer tipo de pretexto - ela existe, eles sabem e mencionam apenas para registrar, de fato, isso não vai importar para nada entre eles, nunca foi problema desde o início.

É raro encontrar um filme enxuto como "Tinha que ser você", em que emoções podem ser explicitadas na tela sem que o espectador se sinta obrigado a se envolver. O envolvimento existe, de forma natural, conquistado pela história bem contada.

Londres surge em grande forma, e a opção do diretor Joel Hopkins em fugir dos pontos tradicionais do turismo ajuda e muito na empatia. Vemos o casal percorrendo lugares próprios de Kate, onde ela vive, conhece e se reconhece - uma ambientação da cidade como lugar real.

Enfim, nada melhor do que ver um filme que possa ser contado em 90 minutos, sem firulas, sem enrolação. Apenas uma história bem conduzida, que gera um sorriso no final e algumas cenas e diálogos gravados na memória.

1 comentários:

Eduardo Mesquita disse...

Boa dica.
Quem sabe antes de setembro chegue aqui à fazenda.

Há braços.