Saiu da cabeceira
Hoje, investigação policial com técnicas forenses é coisa banal na TV. Os três "CSI", mais "NCIS", "Bones", para citar três exemplos, exploram o detetive que trata o crime como ciência. Não era assim no século 19.
É o que mostra Kate Summerscale em "As suspeitas do sr. Whicher", livro que conta a história da investigação de um crime que chocou a Inglaterra na segunda metade dos oitocentos. Jack Whicher pertence à recém-criada Polícia Metropolitana, especialmente dedicada à investigação criminal e ligada à Scotland Yard. Era uma época em que o sistema judicial não prezava a figura do detetive, ainda incipiente.
Com o assassinato de um menino de 3 anos, de uma família de Road Hill, Whicher deixa Londres para investigar o crime. Lá, prende-se a detalhes pouco explorados pela polícia local, o que custa sua reputação - detalhes da vida pessoal da família surgem na imprensa, que ainda não desempenha um papel investigativo, apenas publica as versões oficiais, disputadas por uma infinidade de publicações.
Essa atenção a modos de ser, a peças de roupas, à linha do tempo faz com que a investigação não avance, enquanto existe a pressa por condenação.
Summerscale faz uma pesquisa criteriosa em arquivos de jornais e bibliotecas para reconstruir a época e o caso. O mais bacana do livro é o paralelo que ela traça com a recente literatura policial, que também começava a criar corpo na época.
Fala de Edgar Allan Poe, Charles Dickens - este, inclusive, escreve sobre o crime para jornais -, Arthur Conan Doyle (criador de Sherlock Holmes) e Wilkie Collins, que cede trecho de seu "A pedra da lua", um clássico do romance policial, para a epígrafe do livro. Whicher vai inspirar uma série de personagens que o gênero iria criar a partir de então. Summerscale conta como essa história começou.

2 comentários:
Acho que se deve falar cada vez mais do gênero policial em literatura. De minha parte, foi o tipo de leitura que me formou leitor, que me fez ter prazer com aquele estranho objeto chamado livro, que não tinha, em minha casa, nenhum fã até que eu me aventurasse.
Não sou leitor regular de romances policiais, me infiltro raras vezes por essa leitura, menos do que talvez eu gostaria, pois todas as vezes se revelaram prazerosas.
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