Aquele vestido
A "Folha" soltou hoje uma pegadinha. Levou uma atriz de vestido curto, sem sutiã, para algumas universidades em São Paulo, instituições de alunos com maior poder aquisitivo e com maior graduação no MEC do que a Uniban - o que não é muito difícil.
Fez a moça andar por grupos de alunos, realizar perguntas sobre a faculdade, onde era o banheiro etc. Com o caso de Geisy Arruda ainda quente, a reação foi comparativa e imediata.
Mas, ao contrário da horda da Uniban, a revolta foi silenciosa.
As garotas xingavam pelas costas, ironizavam e a chamavam de puta. Os garotos ficavam de olho, sem jeito. Reações que demonstram um conservadorismo envergonhado. Elas, com medo do que a atriz poderia fazer com o lado masculino da comunidade, preferem desqualificá-la. Como se a puta fosse alguém que pudesse desestabilizar o ambiente, sem que as garotas demonstrassem confiança. A roupa, nesse caso novamente, carregava uma culpa quase mortal para as moças.
Já os rapazes agiam como se fossem bobalhões diante de uma mulher bonita, consciente e confiante. Seja ela puta ou não, demonstrava uma postura com as quais o macho não consegue lidar, apenas quando o poder entra em jogo - no caso da Uniban, em forma de linchamento, ou com dinheiro para quem costuma contratar serviços profissionais para se satisfazer.
O que espanta é a falta de confiança das pessoas em lidar com adversidades, diferenças e liberdades. Qualquer peça que saia da engrenagem padrão, que perturbe a rotina, parece gerar distúrbios nas mentes. Uniban, PUC-SP, USP, Universida, Inib e FMU, da classe média aos mais endinheirados, a faculdade perde o poder de diálogo.
Mais do que o diploma, o que se vê hoje, me parece, é uma tentativa de estabilidade forçada, de machos e fêmeas em papéis separados e definidos. Lógico que daria nos ataques da Uniban e nos xingamentos no campus da PUC.

2 comentários:
Engraçado que no nosso tempo de faculdade a gente via de tudo. Mulheres meio louquinhas, gatas em trajes curtos e meninas "normais". Nunca vi nada além de olhares e sorrisos de satisfação, inclusive os nossos, e nenhum tipo de reprovação até entre as outras garotas. Era uma coisa natural. Parece que nesses 12, 13 anos a situação degringolou. Uma pena. Depois leia um texto legal sobre o assunto no blog http://olharesloiros.blogspot.com.
abraços
Pois é, era tudo numa boa. E eu fico sem entender, porque parece que é 8 ou 80, ou lincham ou então ficam nus em sala de reitor, com aconteceu na UnB, para protestar no caso da Uniban. Qual o sentido em aparecer nu no jornal?
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