05/11/09

Cinema obsessivo

A Mostra Internacional de São Paulo termina hoje. Não assisti a nenhum filme. Não faltaram títulos que me entusiasmassem para enveredar pelas salas de cinema. Sobrou preguiça.

Anos atrás, ir a uma sessão da Mostra era algo prazeroso. Sessões lotadas sempre existiram, mas não havia um frisson como existe hoje, em que pairam uma certa tensão e ansiedade excessiva na procura por ingressos não só de filmes de diretores consagrados ou cults, mas de qualquer filme, qualquer diretor.

Tem gente que concentra suas visitas anuais ao cinema nesses dez dias de outubro. O resto do ano passa sem ir a uma sala de exibição. Ir à Mostra dá status. Preguiça...

Por que brigar para assistir ao último de Almodóvar se em duas semanas ele estreia no Brasil? Talvez eu quisesse assistir aos filmes sobre Maradona e Eric Cantona. Mas que agonia para comprar um ingresso, impossível.

A Mostra me apresentou Kieslowski e seu "Decálogo" lá no final dos anos 80. Foi lá que assisti, já em 94 ou 95, ao encontro de Wim Wenders e Antonioni ("Além das nuvens"). Entre outros.

Até 1996, comparecia a algumas sessões. Depois, com a vida em outra cidade, só via a Mostra pelos jornais. Quando retornei a SP, logo no primeiro ano, em 2005, ingenuamente, fui tentar comprar ingresso para "A divina comédia", de Manoel Oliveira. Lotado com dias de antecedência. Troquei por "2046", de Wong Kar Wai. Vi dois casais se estapeando, literalmente, por causa do último ingresso. Desisti.

Ano passado, a trabalho, retornei à Mostra. Vi poucos filmes, mas o clima era o mesmo. Vale mais a conversa na fila de espera, com o guia folheado incessantemente, do que sentar, esperar o escuro e assistir a um filme. O que salvou foi a entrevista que fiz com Wim Wenders (aqui e aqui).

Pena. A Mostra era uma forma simples e agradável de se interagir com a cidade. Hoje, virou obsessão.

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