A guerra de Tarantino
Um filme de Tarantino sempre provoca alvoroço, no público e na crítica. Em 17 anos, ele lançou apenas sete longas, o que gera sempre um burburinho nos hiatos de cada filme. Barulhos diferentes, como o alvoroço em "Cães de aluguel" e "Pulp fiction", a desconfiança com "Jackie Brown" (talvez o meu preferido) e "Kill Bill".
Seu "Bastardos inglórios" chegou com balbúrdia, dois anos depois do fracasso de "Prova de morte", filme que nem estreou no Brasil ainda. Um Brad Pitt com queixo de Marlon Brando, o cenário da 2ª Guerra Mundial, na França, uma história que envolve um esquadrão da morte judeu, um caçador de judeus carismático, elementos que levaram o filme de Tarantino a uma exposição antecipada.
Tarantino sabe filmar e escrever. Seus diálogos são espertos, cheios de segundas intenções, rápidos, sem dar dicas para onde a ação irá caminhar - podemos até imaginar um rumo, mas podemos trocar de ideia 10 segundos depois, sem que ele faça do desenvolvimento um ato forçado a surpreender o espectador.
Pitt é um coadjuvante de luxo, seu papel é quase caricato. "Bastardos" é de Christoph Waltz, que vive Hans Lana, o caçador de judeus. Sua interpretação é das melhores coisas do cinema neste ano.
De resto, se "Bastardos" tivesse uns 30 minutos a menos seria um filme acima da média, com boas sacadas, um roteiro diferente, uma farsa. Longo, com mais de 2h, fica arrastado em alguns momentos e seu impacto se perde.
Por que será que fazer um bom filme com 100 minutos é tão difícil?

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