12/11/09

Saiu da cabeceira

Li "Peixe dourado", de J.M.G Le Clézio e sai com a sensação de abalroamento.

A história de Laila, raptada aos 6 anos e vendida para Lalla Asma no Marrocos, é uma sucessão de dramas, abusos e soluções rápidas. Não há um momento do livro em que a garota não enfrenta situações críticas ou que suas ações possam ser derivadas de uma vontade legítima, sem que tenha que fugir de um algoz.

Em pouco mais de 200 páginas, o livro, que começa de forma instigante, perde-se na tentativa de ajeitar todos os dramas. A garota passa por inúmeros lares, foge, comete pequenos delitos, vai para a Europa, depois aos Estados Unidos, sempre fugindo. Não encontra paz.

Vai encontrar o vigor narrativo no final, quando Laila completa um ciclo. Entre as pontas, Le Clézio opta por explorar um rumo que gera um cansaço, talvez por narrar uma história que parece distante por demais ou em que o leitor possa insistir em não enxergar.

Durante a leitura, estourou o caso Geisy Arruda. Uma ficção levada às manchetes, que provocou a mesma sensação.

Laila também passou por humilhações e abusos. Em sequência. Para encontrar paz, teve que voltar ao ponto inicial.

Sua vida é um retrato das mulheres que não encontram paz para viver, sempre à mercê dos homens que as cercam. Do norte da África ao sudeste brasileiro, as semelhanças são assustadoras. Impossível dizer o que é ficção, tanto em São Bernardo do Campo como no Marrocos.

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